Suely em busca do céu

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                                                              Por Liliane Borba 

“O céu de Suely”, (Videofilmes, 17 de novembro de 2006) mais um filme brasileiro que exibe a pobreza do sertão nordestino. Apesar do diretor Karim Ainouz ter escolhido este cenário para representar a distância e a solidão, é inegável que o filme não se distancia de tantos outros que insistem em exibir a miséria do povo nordestino.

            É claro que esse não é o tema central, o filme fala sobre Hermila, uma jovem que morava em São Paulo com o companheiro e o filho pequeno,  o Mateuzinho. Diante das dificuldades financeiras a família resolve morar em Iguatu, cidade do sertão do nordeste. Hermila e Mateuzinho viajam e o companheiro fica para resolver assuntos pendentes. Porém, ele nunca mais retornará ao encontro de Hermila, some sem deixar rastros e enquanto isso, ela resolve ganhar dinheiro para deixar a cidade e para isso, rifa o próprio corpo, dando ao ganhador “uma noite no paraíso”.

O roteiro apesar de simples se torna complexo em seus significados. É uma dramaturgia indutiva, nem tudo é contado, e isso propositadamente, para que o espectador deduza e interprete as várias lacunas narrativas existentes.

            Diferentemente da televisão que ainda se mostra bastante radiofônica, no sentido em que é possível  compreender sua variada programação sem estar diante da tv, apenas escutando-a, o “O céu de Suely” vem em oposição a isso, os significantes e significados estabelecem uma relação mais complexa, como o próprio nome do filme que associa o céu à busca da felicidade, o céu como lugar que guarda a felicidade, e como algo que está em todos os lugares e também em lugar nenhum.

            A obra firma uma relação íntima com o espectador com aquelas quantidades de planos próximos, close e super close, sem falar na fotografia que explora os tons muito claros e muito escuros dando mais realismo a obra e contribuindo para que possamos nos sentir em Iguatu.

            “O céu de Suely” ultrapassa os limites do realismo, é um hiper-realismo retratado magnificamente pela atuação do elenco, cujos personagens receberam o nome verdadeiro dos atores para aproximar o drama da realidade.

            É uma obra que retrata o feminino, que explora os extremos dessa alma, toda a sensibilidade e a força de uma mulher. Cenas como a avó Zezita expulsando Hermila de casa assim que descobre sua fama de rapariga e depois a recebendo novamente, e também, a decisão de Hermila em mudar seu nome para Suely, uma maneira encontrada para preservar sua identidade, seus princípios e sua essência de mulher sonhadora em busca da felicidade.

            A monotonia do filme, caracterizada pelo lento desenrolar da história e também pelas cenas longas e pelos cortes bruscos, ao mesmo tempo que incomoda, dá uma certa curiosidade, o espectador fica esperando acontecer algo que dê mais sentido ao enredo, porem isso não acontece. Suely vai embora de Iguatu, vai em busca da felicidade, como tantas de nós, que esquece que a felicidade está no caminho, que o céu está em todo lugar.

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