Brasília de todos os santos, encantos e axés

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          Quando cheguei a Brasília deparei-me com um sem fim de coisas novas, como em todo lugar que me dispus a ir, seja para morar ou apenas para visitar. Porém, venhamos e convenhamos, como que não seria novidade para uma interiorana, recém saída da barra da saia da mãe, das avós e, por que não, da bainha da calça do pai, deparar-se com uma cidade com várias outras cidades dentro, onde as ruas não possuem mais os tradicionais nomes de alguém famoso pelo que quer que tenha feito de bom (ou de mal?!) em vida. O que encontrei foi uma série de números e letras com todas as derivações de Qs, Cs, Ws e etc. É W3, CSB, QR, QN, QNJ, L, E, F… guardadas as devidas variações sul e norte. Não existem bairros e as ruas, na verdade, são quadras.
          É setor de tudo e para tudo. Setor de indústrias, de automóveis, de comércio, de bancos… As estradas são parques (EPTG, EPIA, EPNB, EPCT…) ligando no mínimo duas cidades, ou micro-cidades, as famosas cidades satélites, todas estas contidas na menor ainda, Brasília. Por falar nela, jaz aí outra dúvida desta reles mortal deslocada. Sempre que volto de férias à minha cidade natal, sou indagada sobre onde estou morando. Respondo que é em Brasília, mais por preguiça que por qualquer outro motivo, afinal de contas a discussão quanto a se é Brasília ou não, é de uma polêmica que não me atrevo a discutir. Preguiça de explicar que a capital federal é um misto de cidades e, na verdade, são pouquíssimos os que vivem nela, já que, para seus idealizadores e planejadores – de um projeto que parece não ter dado muito certo – somente as asas sul e norte, o congresso e parte do Cruzeiro que engloba o setor militar são considerados como Brasília. Em outras palavras, somente o plano piloto da capital do país, nome que acabou instituído por falta de outro melhor (quem sabe?), ao menos no papel, pode ser chamado de Brasília. Mas vá tentar explicar isso a quem não vive aqui ou mesmo para os próprios habitantes. Sequer eu entendo.
          Voltando às novidades, ou melhor, esquisitices brasilienses ou candangas, como queira, com as quais me deparei. Chegando aqui minha árvore genealógica deu um salto demográfico. Não, não me casei ainda, tão pouco reproduzi feito coelho. Contudo o número de tios e tias que agreguei à minha família é infindável. Todos os pais, mães e qualquer adulto mais velho passam a ser chamados assim pelos mais novos e, de tanto ouvir, não há como não repetir.
          Além de a cidade ser conhecida como a capital federal (o que é de verdade), é ainda a capital da corrupção, dos concursos, dos empregos e, sem dúvida, dos botecos, barzinhos de esquina, de centro, de onde for. Nunca vi lugar para ter tanto bar! Quem nunca saiu de um “buteco” para outro em plena madrugada brasiliense? Ou fechou o Mané das Codornas (Guará) junto com os funcionários, baldes, rodos e vassouras? Ou ainda nunca terminou a noite numa das incontáveis bombas espalhadas por cada canto da(s) cidade(s)? Em dois anos, já perdi a conta de quantas vezes já fiz isso.
          Seja Brasília, entorno, cidade-satélite, enfim, todos estes aglomerados urbanos (e muitas vezes nem tão urbanos assim) que constituem este planalto central são a prova maior da imensa diversidade brasileira. Aqui se reúnem as mais variadas tribos e os mais diferentes gostos. Mentira das maiores é dizer que aqui só se curte rock in roll. È também a cidade do funk carioca, da MPB, do velho e bom sertanejo bem brasileiro e goiano, do axé baiano (Vixe mainha! Aqui têm mais shows que em Salvador).
          Têm assaltos, mortes, acidentes de trânsito, mas peraí, cara pálida, onde é que não tem tudo isso?! Corrupção? Tem, tem sim (e como!). Mas também não é porque é aqui que eles dizem trabalhar os míseros três dias por semana, que somos todos seres corruptos. E quanto ao presidente, se o vi? Ora bolas, vá ver se eu ou ele tá na esquina!!! Ele sequer anda no Brasil, que dirá em Brasília.

Por Camilla Sanches 

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