Câmeras nas escolas

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                                                                                                                  Por Liliane Borba

 

            Para tentar diminuir os atos de violência e vandalismo, a Secretaria de Educação pretende instalar câmeras em todas as 620 escolas públicas do Distrito Federal. Mas, mesmo antes de ser sancionado pelo governador Arruda, o projeto do deputado Cabo Patrício causa muita polêmica entre estudantes, pais e psicólogos.

            A estudante Ingrid, 15 anos, da escola Azul do Riacho Fundo 1, concorda com a instalação das câmeras, mas teme pela privacidade dos alunos, “É bom para inibir a violência, mas não acho certo vigiarem a gente dentro da sala de aula”.

            Mas quanto a isso, os alunos não precisam se preocupar, pois o projeto prevê que as câmeras fiquem nas áreas internas e externas das escolas, exceto em locais como banheiro, sala de aula e sala dos professores. Além de ser obrigatória a sinalização para avisar que a escola está sendo monitorada.

            Os pais acham importante e se sentirão mais seguros em deixar seus filhos nas escolas, como diz a dona de casa Thaís Silva, que também acredita que as câmeras podem ser grandes aliadas no processo de educação dos alunos. “Tem que ter câmera na escola, acho mais seguro. É um jeito dos alunos se auto-limitarem”.

            Para alguns psicólogos o monitoramento gera um falso conceito de disciplina, desenvolvendo nos estudantes uma dupla noção de moralidade. Os alunos se comportam bem diante das câmeras e mudam de comportamento quando estão longe delas. Porém, isso não pode ser visto de maneira generalizada. Os efeitos negativos dependem de cada aluno e devem ser tratados de modo individual e com a ajuda do Estado, como diz a psicóloga Fernanda Albuquerque, “Cabe à escola, ou melhor, ao governo contratar psicólogos para cada escola, ajudando assim os alunos na mudança”.

            Se os problemas de violência e vandalismo vêm causando tanta preocupação na comunidade, isso se deve à interação de diversos fatores que acabaram por culminar na implantação desse projeto. Podemos citar a inabilidade do Estado em oferecer condições suficientes para prevenir a violência e não apenas usar a repressão como forma para compensar sua ineficiência; a falta de compromisso da sociedade em assumir suas dificuldades de relacionamento interpessoal, como o preconceito e a exclusão; e também, a dificuldade das escolas em assumirem seu papel de educadoras e não apenas se organizarem para repreender as atitudes de vandalismo.

            A psicóloga Paola acredita em outras formas de combate à violência. “Melhor do que as câmeras seriam os trabalhos em grupos (alunos, professores, diretores, família e comunidade) para a preservação da escola, para a valorização do ensino-aprendizagem”.

            Mas não podemos negar que as câmeras podem ser grandes armas de intimidação e que podem ajudar no combate á violência. Porém, o medo que os indivíduos sentem em cometer infrações diante delas não pode ser visto como sinônimo de respeito.

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