Greve na Saúde

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Será mesmo a única saída para as reivindicações dos médicos?

Por Camilla Sanches

          Médicos das regiões Norte-Nordeste estão em greve há mais de um mês na maioria dos estados. A situação mais grave parecia ser em Alagoas, onde médicos e funcionários chegaram a 81 dias de paralisação.

          A reclamação é sempre a mesma como concorda o médico cirurgião e diretor do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), Dr. Joaquim Pereira da Silva: “reivindica-se, além de melhores salários, melhores condições de trabalho”. Segundo ele, um médico passa muitos anos na faculdade, depois um período de residência, e muitos ainda fazem mestrado e doutorado para ganhar 2.500 reais por 20 horas semanais. A situação em Alagoas é a pior. Um médico ganha em média R$1.015, enquanto na Paraíba, por 40 horas semanais, se ganha 1.400. Os Hospitais do Estado da Paraíba têm que escolher aqueles que vão ser operados, tão grande é a falta de teto financeiro do SUS, de acordo com uma reportagem da revista Isto É de agosto. Eles têm capacidade para fazer 60 cirurgias cardíacas por mês, mas somente 35 estão sendo feitas.

          Dr. Joaquim Pereira não é a favor das greves, assim como o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Para o médico e diretor, existe a lei da greve para o servidor público e todo servidor tem que manifestar sua opinião. Mas, ressalta, “ressalvado sempre o setor de emergência, ampla divulgação com antecedência e manter 30 por cento dos serviços não-emergenciais funcionando”. Diz ainda que mantendo de fora o Pronto Socorro, ninguém vai correr risco de morte.

          Infelizmente não foi o que aconteceu com a jovem Elizângela de 28 anos, no último dia 19, na Paraíba. Ela precisava realizar com urgência uma cirurgia para desentupimento de uma válvula mitral no coração. Sua morte tornou-se caso de comoção em todo o país e de justiça no seu Estado, onde a promotora Ana Raquel Brito afirmou que vai encaminhar pedido ao promotor para instaurar inquérito civil público por omissão de socorro e homicídio culposo, segundo a Isto É.

          “Eu não defendo greve, diz Dr. Joaquim, defendo discussões amplas, sindicatos, associações, conselhos de saúde”. De acordo com ele, essa representação social é importante para pressionar os níveis centrais para que revejam os salários de funcionários, “às vezes, muito mais baixos que os nossos”.

          O Ministro da Saúde defende a criação de uma fundação estatal de direito privado, para substituir o modelo de administração direta dos hospitais, alegando ser a segurança da estabilidade que torna ineficientes o atendimento e o funcionamento de muitos hospitais do SUS. Para o Dr. Joaquim Pereira, este é um assunto muito controverso: “nós temos pela lei do estatutário uma estabilidade que favorece esses movimentos grevistas. Quando você é só CLT, a greve é permitida, mas logo a seguir você pode ser demitido, em contrapartida. Mas eu sou favorável a uma ampla discussão desse assunto”.

          O diretor não vê no HRT e em toda a Secretaria de Saúde do DF um movimento de greve em curto prazo, mas confirma que insatisfação sempre há com salários, jornada e condições de trabalho, especialmente em Pronto Socorro, onde existe uma superlotação, uma demanda grande.

          Outra queixa é a falta de anestesistas. Abriu-se concurso para 145 vagas diretas no setor e somente 37 pessoas passaram. “Houve uma tentativa de terceirização do setor, o que eu acredito que soluciona o problema a curto tempo”, diz ele. Contratando agora esses profissionais, o Estado visa diminuir o sofrimento do povo, mas para o diretor a Secretaria tem que ter quadro próprio.

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