Eis o Tempo

27 novembro 2007 by
Por Catharine Rocha

O tempo é uma das poucas verdades universais que nós conhecemos, aliás, ele é o que condiciona, se não todas, a maioria delas, tais como o dia e a noite, o nascer, o envelhecer e a morte. E isso, o torna ainda mais misterioso. As suas verdades, por mais que em princípio genuínas, causam temor pela sua soberania.

As pessoas acreditam que regulam a vida ao tempo, mas, na verdade, o tempo é que condiciona as nossas vidas. De fato, o tempo não é efêmero, mas o somos. Ele tanto amplia, como limita os nossos dias. Vivemos tão assoberbados em nossos “universos”, em nossa rotina, que não paramos para refletir sobre a mágica passagem do tempo. É no decorrer do tempo que crescemos, que amadurecemos, que nos desenvolvemos, que estabelecemos e desfazemos laços, enfim, é nele que a vida institui-se.

Há quem diga que o tempo é inimigo, pois ele passa tão rápido que não se pode acompanhá-lo. A velha comparação que se faz entre o “pouco” tempo e as “muitas” tarefas. E há quem defenda que o tempo é amigo, porque ele alivia dores, acalma o espírito e consola o coração. A factual teoria de que o tempo é o melhor conselheiro.

Eu acredito que o tempo é o senhor supremo do Universo, já que tudo e todos acompanham com naturalidade a sua passagem, ou melhor, o seu andamento. Nossas atividades e até mesmo a própria natureza estão subordinadas à sua linearidade. Ele guia não apenas a cronologia da existência, aliás, isso talvez seja o que menos importa, afinal, é como forma de refreá-lo que o homem tenta impor-lhe uma logística, uma subordinação. Ilusão! O tempo é mais que amontoados de dias registrados em calendários e horas cronometradas em relógios, ele é música e ação, tão controlável quanto notas musicais no vento.

O tempo tanto é precursor como ulterior à existência, é a efígie da esperança.

Qualidade em Cena

27 novembro 2007 by
Por Catharine Rocha

Em seu segundo trabalho a companhia teatral Cia Imaginário de Teatro apresenta o espetáculo ‘Mateus e Bastiana contra o bicho de fogo’, coordenado por Edi Silva, Luciana Albertin e Walter Cedro. Apesar dos poucos trabalhos e da pouca verba, a qualidade do elenco é inquestionável. Os personagens do palhaço Mateus e do Soldado ganham vida dentro do palco e rapidamente ganham a simpatia do público do Teatro Paulo Autran, que dão boas gargalhadas com estes em cena.

A narrativa mistura folclore com temas atuais e polêmicos, e arranca boas risadas até mesmo das mazelas da política brasileira.

A trama se passa em uma cidade interiorana, onde supostamente um bicho enorme e assustador aparece e tenta impedir a realização do aniversário da Bastiana, esposa do palhaço Mateus. Na procura pelo bicho que roubará os instrumentos, Mateus e Bastiana pedem ajuda a duas irmãs cegas, a um político corrupto, a duas pastoras desonestas, a prima valente de Bastiana e a um Soldado covarde. No tablado, a entrada e saída das personagens são orientadas pela narrativa feita pelo Boneco Bastião.

Outro ponto sedutor da apresentação é o desfecho da história, que traz ao palco o Bumba meu boi e uma banda que toca ritmos folclóricos, composta pelos músicos Robson Siqueira, Fagner de Souza, Chiquinho Lopes, Leonardo Siqueira e Wagner Nascimento, em uma festa que representa a alegria de viver típica do povo humilde brasileiro.

CPMF, os dois lados da moeda

27 novembro 2007 by
Por Catharine Rocha  

Cresce no país discussões e debates em torno da prorrogação ou não da CPMF, Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. Este imposto fora criado em julho de 1993, em caráter provisório, com o intuito de destinar os recursos arrecadados para a área da Saúde. No entanto, este tributo provisório ainda hoje é cobrado, isso por que ao longo dos anos ele vem sendo prorrogado sucessivamente.

O imposto sobre o cheque permeia todas as transações financeiras e está embutido no preço de todos os produtos comercializados.

As opiniões se divergem em toda a sociedade. Há quem defenda que o país não tem como ficar sem o imposto agora. “Hoje, o Brasil não tem como ficar sem o dinheiro arrecadado pela CPMF”, afirma o economista Luiz Dalton Santos. E tem também, aqueles que são radicalmente contra a prorrogação do imposto do cheque. “Essa CPMF é um absurdo, já passou da hora de acabar com ela”, diz o estudante de contabilidade, Patrick Oliveira.

Mas, mesmo assim, o governo garante que o orçamento e projetos de governo de 2008 contam com os R$ 40 bilhões arrecadados pela CPMF, e que caso o imposto não seja aprovado no Senado, os projetos sociais do governo e o setor da saúde poderão ser prejudicados. Entretanto, movimentos pela não prorrogação da CPMF crescem em meio à sociedade, como por exemplo, abaixo-assinados que circulam pela internet e o ‘Xô CPMF’. O estudante Patrick diz que o governo não deveria contar com imposto para os próximos anos. “Está errado! O governo não deveria ter feito projetos na certeza da recriação do imposto. A CPMF tem o caráter provisório e está marcada para terminar no dia 31 de dezembro”, afirma.

Já o economista Luiz Dalton Santos diz que o país teve um considerável aumento na arrecadação dos outros impostos esse ano, no entanto, tirar abruptamente o dinheiro arrecadado com a CPMF do tesouro nacional poderia trazer problemas a economia do país. “Seria R$ 40 bilhões a menos para o governo gastar, e estando todo o projeto orçamentário programado em cima desse dinheiro, traria um desequilíbrio muito grande nas ações de governo, podendo assim haver uma crise e então chegar a afetar a economia do país”, destaca.

Luiz Dalton afirma que para a extinção do imposto, seria interessante que houvesse uma redução gradual da alíquota. “Hoje, o imposto do cheque é cobrado a uma alíquota de 0,38%, porque não reduzir essa alíquota para 0,28% em 2008, por exemplo. Para acabar com este imposto sem maiores danos para os projetos sociais do país, seria necessária uma redução gradual das alíquotas, dessa forma o governo poderia adequar progressivamente o seu orçamento”, defende.

Como solução para o problema todos defendem uma intensa discussão acerca do tema. Mas o economista Dalton ainda declara que a CPMF é um imposto importante: “eu acho que dentre os impostos existentes, a CPMF é o mais injusto. Ela é importante para economia, e tem o seu valor como instrumento de controle para o imposto de renda, dentre outros”, conclui.

Política: a reforma que nunca acaba

27 novembro 2007 by
Por Catharine Rocha

A reforma política, já há algumas semanas, é destaque na agenda política do país. No entanto, diante dos últimos acontecimentos que rodeiam o Congresso Nacional, como a investigação por suspeita de quebra de decoro contra o senador Renan Calheiros, e as CPIs do apagão aéreo, a população, de um modo geral, não tem dado credibilidade ao projeto.

A necessidade de mudança em nosso sistema político brasileiro já é tema de discussão desde a promulgação da Constituição de 1988. Desde então, já foram enviados algumas vezes ao Congresso Nacional conjuntos de propostas visando alterar a estrutura política do país.

Nos moldes em que tramita, hoje, para votação no plenário da Câmara dos Deputados, o texto da reforma prevê como mudanças mais polêmicas e de maior destaque a fidelidade partidária, o financiamento público de campanhas e listas preordenadas, ou fechadas para a eleição de deputados. A fidelidade partidária visa coibir a troca de legendas políticas por parte dos deputados após a eleição. De acordo com a proposta, o candidato só poderá trocar de partido até um mês antes das eleições, ou três anos após.

O financiamento público de campanha, que tem por finalidade inibir uma troca de favores entre candidatos e empresários durante as campanhas eleitorais, ainda é alvo de muita discussão no plenário. Deputados do PT e do DEM, recentemente, apresentaram uma emenda prevendo a adoção do financiamento público de campanha para cargos majoritários (prefeito, governador, senador e presidente da República), e limites no financiamento privado para cargos proporcionais (de vereadores e deputados).

Outro item de destaque é o voto por lista, pelo qual os candidatos a vereador, e deputado estadual e federal, se elegerão por meio de listas pré-ordenadas pelos partidos.

 Todo o projeto de lei ainda tem que passar por duas sessões na Câmara e em mais dois turnos no plenário do Senado. 

Entretanto com as reiteradas denuncias de corrupção, noticiadas pela imprensa, a opinião pública tem se demonstrado desinteressada dos assuntos que movem as pautas das Casas que constituem o Congresso Federal. Quando questionadas sobre a reforma política, a maior parte das pessoas entrevistadas diz que já ouviu falar mais não sabe a fundo o tema. “Já ouvi falar, mas não sei nada”, afirmou Alisson Michel, estagiário no setor administrativo do Ministério dos Transportes.

Mesmo assim, há quem defenda que atualmente a opinião pública tem participando mais ativamente da vida política do país. A professora de direito e filosofia pública da UCB, Leda Cristina Benradt, acredita no interesse por parte da sociedade. “Hoje, as pessoas estão mais atentas para a política de um jeito que jamais estiveram. Esse problema de descaso com a política é mais uma questão educacional-cultural”. Lenda Cristina ainda aponta as falhas do projeto e sugere que haja debates com a sociedade. “Essa reforma nos moldes que estão discutindo não dará certo no país, neste momento. Listas fechadas não dariam certo pelo hábito. Acredito que antes de votarem, os parlamentares deveriam abrir várias audiências públicas, e redefinir o papel de cada órgão dentro da estrutura política que já temos. O que atrapalha a maioria dos projetos em andamento no Congresso, é que os políticos querem usá-los para aparecerem”.

A reforma política, se votada até o fim deste ano, ainda começa a valer a partir das próximas eleições municipais. Caso contrário, as alterações passam a valer nas eleições de 2010.

Número 23

21 novembro 2007 by

  Por: Pamela

  O filme relata uma terrível obsessão pelo 23, Walter Sparrow (Jim Carry) falta ficar louco, pois pensa que o número domina sua vida.
   O filme já começa com números.
–  Há 23 números no alfabeto Latino
–  Hiroshima em 6 de agosto de 1945  ou seja: 8+6+1+9+4-5= 23
–  Genoma contém 23 pares de cromossomos
–  Os Cavaleiros Templários tinhas 23 grandes mestres
–  A Assembléia das Bruxas acontece no dia 23 de julho
–  Shakespeare nasceu e morreu em 23 de abril
–  O Titanic afundou na manhã de 15 de abril de 1912  ou seja: 1+5+4+1+9+1+2= 23
–  George Hirbet Walker Bush Willian Jefferson Clinton tem 23 letras
–  Os Maias acreditam que o fim do mundo ocorrerá em 23 de dezembro de 2012
–  A geometria é baseada em 23 leis naturais
–  A cor rosa= vermelho   branco
                          27      +   65    =  23 rosa

–  Seu casamento: 13 de outubro=  13+10=23
 
–  Seu endereço: 18/14= 1+8=9 + 14=23   e  1+4=5 + 14=23

    Muitos acreditam que números são maldições, sombrias e malévolas. A História começa quando Walter Sparrow ganha um livro de sua esposa de presente de aniversário, o livro se chama “O Número 23” que muda sua vida. No decorrer do livro, ele percebe que algumas coisas têm a ver    com sua vida e Walter começa a perceber que o número 23 está no seu passado e no seu presente. Conheceu sua esposa quando tinha 23 anos, se casou no dia 13 de outubro, isso começa a perturbar sua cabeça, pois o livro termina com um assassinato brutal no quarto 23 de um Hotel, e ele inicia uma investigação para saber quem é o autor do livro. É quando percebe que o livro é toda a história de sua vida na juventude e descobre que ele é o assassino do livro.
    O filme a todo instante, tem mensagens subliminares, é uma afronta à palavra de Deus, blasfêmia contra a palavra da Bíblia Sagrada. Ao final do filme aparece: “Tenha certeza de que o seu pecado vai te libertar. Números 32:23” 
  O que isso quer dizer?  Que todo mundo que mata, rouba, estupra, assalta, etc. não precisa ser julgado, pois já está liberto?. Sendo assim seria permitido fazer qualquer tipo de crime e não pagar por ele.
    A palavra de Deus diz nesse versículo: “Porém, se não fizerdes assim, eis que pecastes contra o Senhor; e sabeis que o nosso pecado vos há de achar.” .      Ou seja, não adianta fugir do seu pecado, pois ele te achará.
 
Filme: Numero 23
Gênero: Suspense
Tempo: 97 mim
País: EUA
Distribuidora: Playarte
Ano: 2007
Diretor: Joel Schumacher
Produção: Beauflynn, Fernley Philipis, Tripp Vinson
Elenco: Jim Carry, Virgínia Madsen, Logan Lerman, Danny Huston, Lynn Collins.

A novela dos condomínios continua

21 novembro 2007 by

 Por: Pamela

O Conselho de Administração da Terracap decidiu, por unanimidade, usar a avaliação feita pela própria empresa para definir o preço dos lotes nos condomínios irregulares. Mesmo com maioria dos membros representando o GDF (cinco contra quatro da União), o órgão foi contrário ao posicionamento do governo, que era vender os lotes pela tabela em que se baseia o IPTU. O resultado corresponde à vontade do Ministério Público, que considera que os preços do imposto – menores do que os da Terracap – lesam o patrimônio público. Os condôminos ficaram insatisfeitos e prometem recorrer à Justiça. O governador José Roberto Arruda determinou à Terracap que inicie o processo imediatamente.
   A decisão representa o fim de um imbróglio que começou no dia 12 de julho, quando o governo publicou um decreto fixando a avaliação pelo IPTU. A reação contrária do MPDFT foi imediata. Os promotores afirmaram que o GDF estava desrespeitando o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado entre as duas partes, que determinava que fosse feita uma avaliação individual dos terrenos, descontando-se as benfeitorias realizadas pelos próprios moradores.
   Promotores ainda se colocaram contra a venda de loteamentos pelas glebas inteiras, como defende o GDF. Mesmo sem acordo, a notificação para os moradores optarem ou não pela compra direta pode chegar esta semana, se a Secretaria de Fazenda finalizar a atualização da pauta que serve de referência para o imposto.
   O valor que os condôminos terão de pagar, se o GDF realmente insistir na fórmula que defende, não é, exatamente, o do carnê do IPTU. Não importa se o de 2007 ou o de 2008. “Não vamos cobrar os lotes pelo IPTU e sim pela pauta de valores da Secretaria de Fazenda e ela é atualizada mensalmente”, explica o secretário de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, Raimundo Ribeiro. Essa leitura revela ainda que, neste caso, não seria necessária uma aprovação da Câmara Legislativa.
   A União dos Condomínios Horizontais do DF (Unica) defende a venda pelo IPTU. “Dou total apoio ao governo que quer defender os interesses da comunidade”, afirmou a presidente da entidade, Junia Bittencourt. “Entendo a postura do MP, que é coerente, mas esses valores altos serão um problema. Tenho tido várias reuniões e as pessoas dizem que não vão pagar”, relatou.
   A representante dos condôminos lamentou que o caminho do diálogo esteja sendo deixado de lado. Ela teme uma batalha judicial sem fim que acabe com o sonho que vinha se materializando. “Pode ficar até pior. Ninguém vai pagar e vai ter licitação. Quem é que vai comprar um lote onde tem uma família morando?”, indagou.

Jogador do Flamengo é punido

21 novembro 2007 by

      Por: Pamela Jardim

      Obina pega gancho de 120 dias e não deve jogar mais neste Campeonato Brasileiro. No primeiro semestre, sofreu séria contusão, ficou parado por quatro meses. O atacante voltou a jogar recentemente, lutava por vaga no time titular, quando sofreu novo revés. Desta vez, por goleada (4 x 1). Ontem, o atacante foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva a 120 dias de suspensão pela agressão a Índio, do Internacional, e está fora do Campeonato Brasileiro.
      Muito nervoso e roendo as unhas, o jogador admitiu que quis acertar o pescoço de Índio, “mas sem intenção de machucá-lo”, o que serviu de argumento para sua condenação.
     Insatisfeito com o veredicto, o advogado Michel Assef Filho vai entrar hoje mesmo com recurso pedindo novo julgamento ao Tribunal Pleno do STJD. Ele vai tentar, de novo, desclassificar a denúncia do artigo 253 (agressão) para o 255 (ato hostil). Assim que ouviu a sentença, o jogador desabou em lágrimas. “Estou muito triste. Dói mais do quando me machuquei. Deus sabe o que faz, mas fiquei tanto tempo parado, lutei muito para voltar a jogar e agora acontece isso. Estão me colocando de maneira errada, nunca quis machucar ninguém. Ele me deu um soco na altura dos rins, que doeu muito. Depois, pisei no pé dele e, ao pedir desculpas, ouvi palavrões de volta”, defende – se.

Vida

21 novembro 2007 by


      Ontem, recebi uma notícia que me deixou muito triste. Estou doente. Isso me abala emocionalmente, pois sempre fui uma pessoa cheia de vida e alegre. Hoje quando eu penso que a vida é cheia de surpresas me assusto, pois hoje estamos bem, amanhã podemos não estar.

      Hoje, penso na minha mãe. Sou a única filha, como deve estar a cabeça dela agora? Quando ela descobriu que tinha câncer, pensei que ia perdê-la, quase morri só de pensar.  E o que ela está a pensar agora? O que eu penso da vida hoje?

     Bom. O que eu posso fazer agora é só procurar uma cura. Deixar que o sabor da Vida tome conta do meu coração e da minha cabeça. Só o que eu não posso fazer é pensar na minha doença. Pois quando pensamos, a doença aumenta mais.

     A vida é cheia de amor, paz, harmonia e acima de tudo, alegria. É isso que estou buscando agora, sempre fazer o bem, pensar nas pessoas, pois o dia cada vez mais fica menor, pensar no amanhã é o que vou buscar.

Essa informação entra

21 novembro 2007 by

Por Diândria Daia

     Consulta, pesquisa, telefona, apura. Corre em busca de alguém envolvido para falar do assunto. Contrapartida, dar voz a ambos os lados. Mas que lados? Um repórter precisa conhecer sobre o assunto que está abordando. Falar qualquer coisa ou dar informação incompleta é induzir ao erro. Ou pior ainda é encher lingüiça. Se não sou honesta com o leitor, me igualo a bandidos, mentirosos, assaltantes, corruptos, e não sou honesta comigo mesma.
     Uma boa apuração leva a dar voz ao texto. Sim, o texto fala! Parece óbvio pensar em texto como uma voz, mas letras que formam frases só têm a voz que o autor quer dar. Voz de alerta, de alarme, de denúncia, de exaltação, voz de alegria, de lamentação e vozes ocultas de opinião. Difícil escrever algo sem colocar naquilo uma opinião. Seja na construção do texto, na escolha das palavras, na forma de abordar o assunto.
     Por isso a necessidade de conhecer algo de perto, apurar, analisar, perguntar para só então fechar a matéria. O jornalismo mais simples e despretensioso tem em si um quê de investigação e muito de interpretação. Interpretamos o que vemos, e na hora de contar já não é só o que se passou, mas a nossa forma de ver o que se passou. Tenho aprendido que a nossa formação pessoal conta também na hora de escrever. É importantíssimo ler de tudo, e rever conceitos e viver a vida. As experiências pessoais podem ajudar a compor um texto. Não apenas no fato de contá-las, mas ao considerar novas formas de perceber o que está a nossa volta a partir de algo que vivemos.
     Não, ainda não sou uma jornalista. Mas espero ser um dia. Sei que preciso passar por várias etapas e aprender a conviver com a busca sufocante do valor notícia, mas algo me consola. Aprendi que um texto não precisa ser sisudo e nem ter “cara de jornalzão”. Preciso, sim, apurar e conhecer, consultar e pesquisar, mas as crônicas, resenhas e demais textos livres do título de “matéria jornalística” me dão a liberdade de colocar minha opinião declarada, e não subliminar. Posso assumir minha humana ignorância e até viajar por outros campos do conhecimento.
     Tenho ainda muito chão pela frente. Vou pesquisar, conhecer, estudar, trabalhar. E no final será que isso entra, ou a pauta cai?

NOSSA TV PÚBLICA É A GLOBO

21 novembro 2007 by

Por Luciano Franklin

           Depois de Renan Calheiros sair ileso de uma das várias denúncias contra ele, o povo brasileiro não acredita nem na política e nem nos políticos. De certa forma, o brasileiro não sabe em que acreditar. Inclusive os próprios políticos não entendem a situação direito, devido a tantas manchas de falcatruas no Congresso. Cabe aos meios de comunicação deixarem mais claro o que está acontecendo. Uma grande dificuldade da sociedade brasileira é entender direito o que se passa no meio político, já que a maioria dos programas de TV não deixa às claras a verdadeira situação, por defesa política ou por passarem rapidamente pelo assunto.  
          O governo deve enviar na próxima semana ao Congresso Nacional a Medida Provisória que cria a TV Pública. Mas afinal, a quem interessa um sistema público de TV?  Na Alemanha, Itália, Holanda, Canadá e em grande parte de países democráticos, os sistemas de maior audiência são públicos. Esse tipo de comunicação é bem diferente do que se encontra no Brasil atual, que nasceu com concessões de uma mídia de serviços públicos, mas esta foi arrebatada por grupos empresariais com metas nos lucros e com parcerias da indústria de publicidade e propaganda.
          A grande diferença entre os dois sistemas, público e privado, é que o público não depende do dinheiro da propaganda para funcionar, tendo diversas formas de ser mantido, ou financiado diretamente por uma taxa paga pelo indivíduo que possui TV como é o caso da BBC inglesa, ou financiada pelo governo, indiretamente pelo cidadão, como é o caso da TV holandesa.
         O sistema da TV pública tem como objetivo servir ao cidadão com programas de qualidade, com informações idôneas e de interesse social. Tem também o dever de criticar abusos e infrações de poderosos dentro e fora do poder. Porém, há dois problemas principais ao se criar uma TV pública, a eterna ameaça de interferência dos políticos e a pressão por audiência e produtividade. O sistema de TV no Brasil é dominado por uma indústria com vínculos comerciais, seu principal objetivo é o lucro, e essa rede tem a tentativa de proporcionar tudo que uma TV pública faria. Qual seria o grande objetivo do Congresso com a criação de uma TV pública? Não seria mais adequado investir na TV estatal que o Brasil possui e depois investir na TV pública? Essas são perguntas que os brasileiros com conhecimento no tema normalmente questionam ao se abordar esse assunto.
       O Brasil tem dezenas de emissoras inclusive um sistema estatal de informação que é a Radiobrás. A iniciativa de se criar uma TV Pública é interessante já que aumenta a pluralidade de possibilidades de acesso à cultura e informação. Porém se o objetivo for estendido apenas a esse ponto, de nada irá adiantar, uma vez que esse sistema será obrigado a algumas publicidades para se manter. O interesse brasileiro é criar uma TV pública igual aos outros países com alto padrão de qualidade tanto na imagem como no conteúdo. Sem um incentivo do próprio governo a quebrar um monopólio da fala do sistema de comunicação no Brasil, a TV pública consistirá em ser somente mais um canal de televisão com pouco retorno. Aparentemente, o governo não pensa muito nessa quebra, e em vez de criar um canal para contrapor esse monopólio apenas ajudará a criar empregos na área da comunicação.
     Tudo indica que a TV pública não mudará muitas coisas no Brasil, mesmo assim é algo de novo para transformar a sociedade. A propósito nós já temos nossa TV pública, mais conhecida como Rede Globo, pois além de ser reconhecida por um alto padrão de qualidade de imagem e sua tentativa de proporcionar o que uma TV pública faria, por incrível que pareça, parece ser aliada ao governo, e o governo a ela.

Nossa Guerra Civil

21 novembro 2007 by

 Por Luciano Franklin

          Grande parte do sucesso de Tropa de Elite se deve ao apelo do combate da violência com violência. Parece que os brasileiros estão anestesiados com tamanha barbárie e acreditam que a única forma de acabar com a selvageria do sistema é a polícia fazer justiça com ferocidade.
         O filme é um tapa na cara, que desde o início mostra uma narrativa interessante contada ao avesso de uma guerra sem vencedores. A trama se passa em algumas das 700 favelas existentes no Rio de Janeiro, como o Morro da Babilônia e do Turano, dominadas obviamente por traficantes e como o narrador diz “armados até aos dentes”. Tropa de Elite mostra à sociedade, a polícia e o crime na visão do Capitão Nascimento, personagem vivido por Wagner Moura, um policial do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro (BOPE). Este vive angústias pessoais por estar preste a ser pai e ter ataques freqüentes de estresse com a batalha dura da corrupção da polícia militar do Rio de Janeiro. Cansado de seu serviço árduo, Capitão Nascimento busca um substituto; paralelamente, dois amigos de infância, Matias e Neto, que são policiais militares se indignam com a putrefação do sistema de defesa do Rio de Janeiro e resolvem entrar no curso preparatório para o BOPE, cruzando então com a vida do Capitão Nascimento.
        A obra é de intensa ação e motiva qualquer um a entender as tramelas da situação do país no ano 97, que parece não ter mudado após 10 anos, pois a violência vem piorando em nosso país. A crítica à classe média é um dos pontos positivos do filme. “Playboyzinhos de merda”, na linguagem crua e verdadeira do capitão Nascimento deveriam criar vergonha e perceber que quem alimenta o tráfico é bandido também.
       Dos mesmos produtores de Estamira e do diretor ônibus 174, Tropa de Elite é uma obra que encanta os brasileiros devido à tamanha realidade apresentada nas telonas, que além de proporcionar reflexões sobre o assunto, também faz com que as pessoas abram os olhos para o caos que o Brasil se tornou.

Como dizia a minha avó…

21 novembro 2007 by

Bom como dizia a minha avó, Deus ajuda a quem cedo madruga, mas hoje não sei como o Cara lá de cima vai fazer, pois é feriado e de nada adianta acordar cedo. As portas das farmácias estão abaixadas, os portões das escolas estão trancados, os supermercados não abrem, a maioria das lojas estão fechadas, ou seja, tanto para trabalhadores como para estudantes nada melhor que um bom feriado e daqueles bem prolongados para poder relaxar, mas aqui no Brasil já deveria ser instituído como dia útil.
Que me desculpe os que se esmeram em transformar todos os dias do ano em feriado, mais haja santos para se homenagear e quando não são santos é dia de tudo, dia do professor, de Tiradentes, do índio, da consciência negra, da proclamação da República, do funcionário público, dos mortos, dos vivos, crianças, idosos, quase vivos, sogra, sogro, pai, mãe, tio, tia, papagaio, periquito… Paro por aqui, não conseguirei citar os restantes, cada dia que passa se cria mais um.

O problema nem é em si os feriados, mas os enforcamentos que nós brasileiros damos o jeito de atribuir ao cotidiano verde amarelo. Por exemplo, sempre que o feriado cai numa quinta temos a desculpa de arredondar por assim dizer. É a tão famosa e abençoada enforcada. E o que seria o ponto facultativo? Nem entre nós conseguimos classificar o que seria, só sei que é mais um dia de descanso em grande parte do país. O Brasil por ser uma República federativa cada Estado tem sua autonomia, é o que dizem, então cabe a cada um deles decidirem seus pontos facultativos. Por isso a razão de datas comemorativas, taí o dia do evangélico exclusivo da capital, e onde ficam os judeus, católicos, espíritas, mulçumanos, ateus ou atoas, hindus, pai de santos e adeptos do candomblé espalhados por esse país?

Como o nosso pão de cada dia, temos os tradicionais como o natal, réveillon, páscoa e é claro o inconfundível e insubstituível carnaval. Na teoria são cinco dias, mas felizes os que nascem na sagrada e profana Bahia onde em vez de cinco dias a folia dura pra lá de 10 dias e nas palavras do poeta “na Bahia só não vai atrás do trio quem já morreu”.

Como dizia a minha avó, o trabalho enobrece o homem, talvez seja por isso que a nobreza esteja escassa, assim como o próprio trabalho.
Por Luciano Franklin

Projeto T-Bone é sinônimo de cidadania

21 novembro 2007 by

                                                                                                   Por Liliane Borba

Não apenas a democratização da leitura, mas também, a disseminação de uma cultura de confiança entre o ser humano, são esses os grandes benefícios proporcionados pelos projetos desenvolvidos por Luiz Amaral, um grande incentivador cultural de Brasília.Além da importância desses projetos é a autenticidade e criatividade que mais chamam a atenção. Afinal, quem já viu, ou ao menos imaginou um açougue cultural? Onde livros e carnes ocupam o mesmo estabelecimento. É isso mesmo! E tem mais, não precisa pagar pelo empréstimo dos livros, é só levar, mas levar com consciência de que é preciso devolver para que outras pessoas também possam ler.Outro projeto audacioso e de grande relevância é a Parada Cultural. Imagina poder se distrair e adquirir conhecimento enquanto espera seu ônibus. Então, na parada localizada na 712/713 norte isso é possível. Um grande acervo de livros está disponibilizado para qualquer pessoa que passar por lá. Não é preciso pagar nada, mas você também pode fazer doações e contribuir para a difusão do conhecimento. Então, “enquanto não pega o ônibus, pegue um livro. Pegue um livro e vá mais longe”, faça como indicado pelo projeto.Essa relação de confiança com a comunidade vista através da própria iniciativa do projeto e de cartazes colados na parada com o seguinte dizer: “Pode levar confiamos na sua honestidade”, é uma forma incentivar, convencer as pessoas a serem honestas, é uma maneira de educar despertando a consciência.Vivemos num mundo capitalista, onde as relações humanas, na maioria das vezes, são regidas por interesses financeiros. Isso acaba desenvolvendo uma cultura de total desconfiança entre as pessoas.  Onde só a palavra não basta, tudo é registrado e controlado para evitar a desonestidade. Por isso, quando deparamos com iniciativas como a do Projeto T-BONE, logo ficamos surpresos e desconfiados, o que é normal, mas não corresponde à expectativa do projeto, que propõe a democratização da leitura através de uma relação mais humana, benigna entre as pessoas, sem desconfianças.Quando precisamos de ajuda, de conselhos, seja para alcançar nossos objetivos, ou realizar nossos sonhos, encontramos força nos incentivos que recebemos de nossos amigos, das pessoas queridas que convivemos, esse projeto é como um desses amigos que nos incentiva a seguir o caminho da honestidade, do conhecimento e da confiança nas pessoas e num mundo melhor. 

Brasília de todos os santos, encantos e axés

21 novembro 2007 by

          Quando cheguei a Brasília deparei-me com um sem fim de coisas novas, como em todo lugar que me dispus a ir, seja para morar ou apenas para visitar. Porém, venhamos e convenhamos, como que não seria novidade para uma interiorana, recém saída da barra da saia da mãe, das avós e, por que não, da bainha da calça do pai, deparar-se com uma cidade com várias outras cidades dentro, onde as ruas não possuem mais os tradicionais nomes de alguém famoso pelo que quer que tenha feito de bom (ou de mal?!) em vida. O que encontrei foi uma série de números e letras com todas as derivações de Qs, Cs, Ws e etc. É W3, CSB, QR, QN, QNJ, L, E, F… guardadas as devidas variações sul e norte. Não existem bairros e as ruas, na verdade, são quadras.
          É setor de tudo e para tudo. Setor de indústrias, de automóveis, de comércio, de bancos… As estradas são parques (EPTG, EPIA, EPNB, EPCT…) ligando no mínimo duas cidades, ou micro-cidades, as famosas cidades satélites, todas estas contidas na menor ainda, Brasília. Por falar nela, jaz aí outra dúvida desta reles mortal deslocada. Sempre que volto de férias à minha cidade natal, sou indagada sobre onde estou morando. Respondo que é em Brasília, mais por preguiça que por qualquer outro motivo, afinal de contas a discussão quanto a se é Brasília ou não, é de uma polêmica que não me atrevo a discutir. Preguiça de explicar que a capital federal é um misto de cidades e, na verdade, são pouquíssimos os que vivem nela, já que, para seus idealizadores e planejadores – de um projeto que parece não ter dado muito certo – somente as asas sul e norte, o congresso e parte do Cruzeiro que engloba o setor militar são considerados como Brasília. Em outras palavras, somente o plano piloto da capital do país, nome que acabou instituído por falta de outro melhor (quem sabe?), ao menos no papel, pode ser chamado de Brasília. Mas vá tentar explicar isso a quem não vive aqui ou mesmo para os próprios habitantes. Sequer eu entendo.
          Voltando às novidades, ou melhor, esquisitices brasilienses ou candangas, como queira, com as quais me deparei. Chegando aqui minha árvore genealógica deu um salto demográfico. Não, não me casei ainda, tão pouco reproduzi feito coelho. Contudo o número de tios e tias que agreguei à minha família é infindável. Todos os pais, mães e qualquer adulto mais velho passam a ser chamados assim pelos mais novos e, de tanto ouvir, não há como não repetir.
          Além de a cidade ser conhecida como a capital federal (o que é de verdade), é ainda a capital da corrupção, dos concursos, dos empregos e, sem dúvida, dos botecos, barzinhos de esquina, de centro, de onde for. Nunca vi lugar para ter tanto bar! Quem nunca saiu de um “buteco” para outro em plena madrugada brasiliense? Ou fechou o Mané das Codornas (Guará) junto com os funcionários, baldes, rodos e vassouras? Ou ainda nunca terminou a noite numa das incontáveis bombas espalhadas por cada canto da(s) cidade(s)? Em dois anos, já perdi a conta de quantas vezes já fiz isso.
          Seja Brasília, entorno, cidade-satélite, enfim, todos estes aglomerados urbanos (e muitas vezes nem tão urbanos assim) que constituem este planalto central são a prova maior da imensa diversidade brasileira. Aqui se reúnem as mais variadas tribos e os mais diferentes gostos. Mentira das maiores é dizer que aqui só se curte rock in roll. È também a cidade do funk carioca, da MPB, do velho e bom sertanejo bem brasileiro e goiano, do axé baiano (Vixe mainha! Aqui têm mais shows que em Salvador).
          Têm assaltos, mortes, acidentes de trânsito, mas peraí, cara pálida, onde é que não tem tudo isso?! Corrupção? Tem, tem sim (e como!). Mas também não é porque é aqui que eles dizem trabalhar os míseros três dias por semana, que somos todos seres corruptos. E quanto ao presidente, se o vi? Ora bolas, vá ver se eu ou ele tá na esquina!!! Ele sequer anda no Brasil, que dirá em Brasília.

Por Camilla Sanches 

Por um segundo

21 novembro 2007 by

                                                                                                      Por Liliane Borba

                           

Comecei a noite em busca daquilo que considerava ser o fim de uma espera. Horas se passaram em vão; os segundos, uma eternidade.

            Voltando para casa e não esperando mais nada, desci longe, algumas ruas acima, embora estivesse tão perto do meu destino… Fui parar naquela esquina quase que por impulso e por um segundo a mais seria em vão, como aquelas horas.

            Logo que desci do carro, o pude avistar e sem imaginar que esse segundo fora o fim, o fim daquela espera, enfim o encontrei! Mas, por um segundo, quase o perdi, pensando ser mais uma ilusão de uma noite quase fracassada;  por um segundo.

 

Suely em busca do céu

21 novembro 2007 by

                                                              Por Liliane Borba 

“O céu de Suely”, (Videofilmes, 17 de novembro de 2006) mais um filme brasileiro que exibe a pobreza do sertão nordestino. Apesar do diretor Karim Ainouz ter escolhido este cenário para representar a distância e a solidão, é inegável que o filme não se distancia de tantos outros que insistem em exibir a miséria do povo nordestino.

            É claro que esse não é o tema central, o filme fala sobre Hermila, uma jovem que morava em São Paulo com o companheiro e o filho pequeno,  o Mateuzinho. Diante das dificuldades financeiras a família resolve morar em Iguatu, cidade do sertão do nordeste. Hermila e Mateuzinho viajam e o companheiro fica para resolver assuntos pendentes. Porém, ele nunca mais retornará ao encontro de Hermila, some sem deixar rastros e enquanto isso, ela resolve ganhar dinheiro para deixar a cidade e para isso, rifa o próprio corpo, dando ao ganhador “uma noite no paraíso”.

O roteiro apesar de simples se torna complexo em seus significados. É uma dramaturgia indutiva, nem tudo é contado, e isso propositadamente, para que o espectador deduza e interprete as várias lacunas narrativas existentes.

            Diferentemente da televisão que ainda se mostra bastante radiofônica, no sentido em que é possível  compreender sua variada programação sem estar diante da tv, apenas escutando-a, o “O céu de Suely” vem em oposição a isso, os significantes e significados estabelecem uma relação mais complexa, como o próprio nome do filme que associa o céu à busca da felicidade, o céu como lugar que guarda a felicidade, e como algo que está em todos os lugares e também em lugar nenhum.

            A obra firma uma relação íntima com o espectador com aquelas quantidades de planos próximos, close e super close, sem falar na fotografia que explora os tons muito claros e muito escuros dando mais realismo a obra e contribuindo para que possamos nos sentir em Iguatu.

            “O céu de Suely” ultrapassa os limites do realismo, é um hiper-realismo retratado magnificamente pela atuação do elenco, cujos personagens receberam o nome verdadeiro dos atores para aproximar o drama da realidade.

            É uma obra que retrata o feminino, que explora os extremos dessa alma, toda a sensibilidade e a força de uma mulher. Cenas como a avó Zezita expulsando Hermila de casa assim que descobre sua fama de rapariga e depois a recebendo novamente, e também, a decisão de Hermila em mudar seu nome para Suely, uma maneira encontrada para preservar sua identidade, seus princípios e sua essência de mulher sonhadora em busca da felicidade.

            A monotonia do filme, caracterizada pelo lento desenrolar da história e também pelas cenas longas e pelos cortes bruscos, ao mesmo tempo que incomoda, dá uma certa curiosidade, o espectador fica esperando acontecer algo que dê mais sentido ao enredo, porem isso não acontece. Suely vai embora de Iguatu, vai em busca da felicidade, como tantas de nós, que esquece que a felicidade está no caminho, que o céu está em todo lugar.

As janelas da informação

21 novembro 2007 by

As rotinas mudaram. Ah! Como mudaram. Por volta de 1920, as pessoas acordavam de manhã, abriam as janelas de suas casas e se deparavam com o horizonte despertador de uma pasmaceira deliciosa. Hoje, já amantes do pós-modernismo o despertar não é tão sonolento assim. O tic-tac nos arranca da cama e nem dá tempo de abrirmos as janelas. Que saudade das janelas!

Não temos mais como fazer muitas coisas prazerosas e importantes que fazíamos antes. Ler os jornais sentados no sofá de casa e desmembrar cada caderno ficou num tempo perdido lá atrás. Hoje, no meio do café expresso, as notícias são engolidas goela abaixo. E se nas primeiras horas do dia alguém perguntar sobre a manchete é capaz de muita gente que se diz bem informada não saber responder.

Para alguns o tempo aumentou, falso engano, o tempo diminuiu. A cada dia, mês e ano os relógios e os fatos se aceleram. E a sede pela informação como é que fica nesse contexto? Alguém tem tempo para se informar? As notícias, às 10h00 da manhã, já estão velhas e vão parar nas casinhas de cachorro. Se você não leu, espere o próximo amanhecer.

            O que pode ser pior? Se inteirar do assunto e ao final perceber que já existe uma gama de novidades para serem conhecidas? Ou simplesmente jogar os olhos em cima de todos os títulos e subtítulos dos jornais que nem são seus, e gravar algumas palavras chaves que lhe ajudarão a falar alguma coisa sem muita importância nas rodas de conversas?

            Eu ainda sinto saudades das janelas, do tempo em que elas estavam abertas para o mundo. Aquele era um tempo de percepção real. Agora, as janelas estão fechadas. O tempo e as pessoas estão fragilizados. Talvez abrir as janelas possa levar cada um a informações mais valiosas e importantes para um tempo que está por vir. As janelas traziam informações. Que saudade das janelas!

 

Por Camila Peres

             

 

           

Voz da realidade

21 novembro 2007 by

“Missão dada é missão cumprida”.             O filme de José Padilha, Tropa de Elite, lançado dia 12 de outubro nos cinemas do Brasil, oferece uma grandeza de temas que merecem ser pensados e discutidos pela sociedade global.            A ficção mostra a realidade, ou parte da provável realidade que a sociedade do Rio de Janeiro enfrenta: policiais estressados, mal pagos, insatisfeitos e divididos entre corrupção, indiferença e a “guerra” de lutar contra megatraficantes em meio à corrupção policial. Universitários de classe média alta, inseridos no contexto da favela, fazem parte de uma ONG que distribui preservativos para os moradores, participam do tráfico de drogas, mas não se consideram parte da criminalidade. Bandidos armados, “donos do morro”, aterrorizam o bem-estar das comunidades e “compram” alguns policiais para garantir, segundo eles, a paz no morro.            Nascimento (Wagner Moura) deseja se livrar do posto de capitão da tropa de elite do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), Rio de Janeiro, porque sua mulher, Rosane (Maria Ribeiro), está grávida. Ele convive com o perigo e a adrenalina de subir às favelas comandadas pela máfia das drogas. Recebeu uma nova missão: acalmar o Morro do Turano por conta da visita do Papa João Paulo II, em 1997. O ator interpreta um policial comprometido com suas obrigações, mas descontrolado em algumas ações com os moradores e bandidos das favelas. Quando sobe o morro, “deixa corpos no chão”. A postura do capitão por vezes emociona, outras vezes assusta e até repulsa o público. Enquanto cumpre ordens, ele procura um substituto capaz de desenvolver com audácia suas atividades. Esse enredo o deixa cada vez mais estressado. Ele e seu batalhão são chamados para resgatar dois policiais aspirantes ao BOPE: Neto (Caio Junqueira) e Matias (André Ramiro), que estão cercados na favela. Os aspirantes despertam em Nascimento a chance de sair do batalhão. Esse é o seu maior sonho no momento.            O diretor José Padilha, formado em Administração de Empresas pela PUC (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), sabia o que iria enfrentar com o lançamento. Ele levou, junto com colaboradores, o longa de 120 minutos a repercussões nas rodas de intelectuais, nos debates familiares, escolares, jornais, revistas e também na televisão brasileira. Não conheço ninguém que não tenha assistido ou ouvido falar do Tropa de Elite.                         Aclamado por uns, no combate ao tráfico de drogas e a desmoralização dos policiais militares, julgado como fascista por outros, que enxergam a postura de Nascimento exagerada e super violenta. De qualquer maneira, cabe aqui reconhecer o talento do diretor por conseguir dar voz e veracidade a problemas enfrentados por muitos brasileiros dia após dia. Padilha não teve medo das críticas que certamente viriam ao seu encontro.            Vítima de episódios polêmicos, como pedidos na justiça contra sua exibição, roubo das armas cinematográficas, o longa ainda foi alvo de pirataria antes da estréia.  Algo parecido aconteceu com o filme A Bruxa de Blair, sendo que naquele caso foi uma jogada raciocinada pelos seus diretores. Já com o Tropa, a pirataria não foi uma medida proposital. O curioso é que o público continua indo aos cinemas e lotando as salas de todo o país.            Nos cinemas freqüentados pela classe média alta é válido observar a reação da platéia. A maioria dos jovens, em algumas cenas, parece assistir uma comédia e não um drama. Nas cenas de torturas as risadas escandalosas tomam altas proporções.  Já os mais velhos saem das salas em silêncio, no máximo fazem comentários discretos com seus companheiros.             Uma outra curiosidade é a posição da mídia. Todos os dias ela reserva espaço para discorrer sobre o filme. Isso começou antes mesmo da estréia. Os críticos teriam assistido cópias de camelôs? Acusam a pirataria, mas fazem uso da mesma sem explicar ou revelar? Ironia! Contradição?            Tropa de Elite não se posiciona a favor de ninguém. Suas cenas na verdade fazem criticas a todos os grupos mostrados (policiais, traficantes e jovens de classe média alta). O filme tem mérito por reunir em uma única obra assuntos “comuns”, encontrados todos os dias nas páginas policiais, no caderno de cidades e nas manchetes de TV, tratados de maneira sensível aos olhos dos brasileiros, que a partir de então estão se mobilizando mais sobre as questões abordadas.

Por Camila Peres

“Sim, Joãozinho!”

7 novembro 2007 by

  

“Santiago, uma reflexão sobre o material bruto”, do diretor brasileiro João Moreira Salles, é a narração de uma tentativa frustrada de documentário sobre a vida do mordomo que trabalhou para a família do diretor durante 30 anos, suas peculiaridades, suas preferências literárias e musicais. Todavia, Santiago é, antes de tudo, uma mostra de como se fazer um documentário, que ângulos explorar, que aspectos da vida do personagem mais interessantes devem ser abordados e como o papel do diretor da obra cinematográfica pode influenciar para melhor ou para pior o filme.

O documentário estreou no dia seis de outubro, uma semana antes dos aclamados e, sem dúvida, muito mais esperados, Tropa de Elite e o francês Piaf, um hino ao amor. Ao assistir ao filme, fica-se com a impressão de que o diretor é o personagem principal e não aquele que dá nome à obra. Na verdade, Santiago começou a ser produzido 14 anos atrás, quando “Joãozinho”, como era chamado pelo ex-mordomo inclusive nos bastidores do filme, era ainda inexperiente. Porém, algo deixou de funcionar na montagem e o filme não foi concluído. Em 2005, o diretor, então, decidiu por retomar o projeto, abordando agora outro foco.

A vida do mordomo, suas histórias pitorescas das nobrezas ocidentais e orientais que ele tanto admirava e sobre quem passou a vida lendo e transcrevendo fundem-se (ou confundem-se) com a de Moreira Salles. O espectador sente, não só pela narrativa in off do irmão Fernando Moreira Salles, mas também pelas interferências que o diretor faz no relato de seu personagem, à época das filmagens, a impregnante relação de classes entre os dois. Como o próprio narrador assume ao final da produção, a relação, durante as gravações no pequeno apartamento do ex-mordomo, entre diretor e personagem era a mesma que havia entre patrãozinho e serviçal.

Moreira Salles admite ainda, ao final, não ter dado a devida importância ao que seu protagonista tentava contar, interrompendo-o várias vezes, mandando repetir a mesma cena e o mesmo ato incansavelmente, enquanto o mordomo acatava com um “sim, Joãozinho” a cada corte de cena que era feito pelo diretor/patrão.

Santiago é um filme muito mais sobre os padrões de vida e comportamento de um diretor que passa por uma crise declarada e que se auto-revela ao longo de sua reflexão acerca da construção de um documentário, do que sobre um ex-mordomo de uma família rica, amante das grandes histórias das aristocracias, da boa música clássica, enfim, um fantasioso que acreditava ser a casa da Gávea o Palácio Pitti de Florença.

  

Por Camilla Sanches  

Câmeras nas escolas

18 outubro 2007 by

                                                                                                                  Por Liliane Borba

 

            Para tentar diminuir os atos de violência e vandalismo, a Secretaria de Educação pretende instalar câmeras em todas as 620 escolas públicas do Distrito Federal. Mas, mesmo antes de ser sancionado pelo governador Arruda, o projeto do deputado Cabo Patrício causa muita polêmica entre estudantes, pais e psicólogos.

            A estudante Ingrid, 15 anos, da escola Azul do Riacho Fundo 1, concorda com a instalação das câmeras, mas teme pela privacidade dos alunos, “É bom para inibir a violência, mas não acho certo vigiarem a gente dentro da sala de aula”.

            Mas quanto a isso, os alunos não precisam se preocupar, pois o projeto prevê que as câmeras fiquem nas áreas internas e externas das escolas, exceto em locais como banheiro, sala de aula e sala dos professores. Além de ser obrigatória a sinalização para avisar que a escola está sendo monitorada.

            Os pais acham importante e se sentirão mais seguros em deixar seus filhos nas escolas, como diz a dona de casa Thaís Silva, que também acredita que as câmeras podem ser grandes aliadas no processo de educação dos alunos. “Tem que ter câmera na escola, acho mais seguro. É um jeito dos alunos se auto-limitarem”.

            Para alguns psicólogos o monitoramento gera um falso conceito de disciplina, desenvolvendo nos estudantes uma dupla noção de moralidade. Os alunos se comportam bem diante das câmeras e mudam de comportamento quando estão longe delas. Porém, isso não pode ser visto de maneira generalizada. Os efeitos negativos dependem de cada aluno e devem ser tratados de modo individual e com a ajuda do Estado, como diz a psicóloga Fernanda Albuquerque, “Cabe à escola, ou melhor, ao governo contratar psicólogos para cada escola, ajudando assim os alunos na mudança”.

            Se os problemas de violência e vandalismo vêm causando tanta preocupação na comunidade, isso se deve à interação de diversos fatores que acabaram por culminar na implantação desse projeto. Podemos citar a inabilidade do Estado em oferecer condições suficientes para prevenir a violência e não apenas usar a repressão como forma para compensar sua ineficiência; a falta de compromisso da sociedade em assumir suas dificuldades de relacionamento interpessoal, como o preconceito e a exclusão; e também, a dificuldade das escolas em assumirem seu papel de educadoras e não apenas se organizarem para repreender as atitudes de vandalismo.

            A psicóloga Paola acredita em outras formas de combate à violência. “Melhor do que as câmeras seriam os trabalhos em grupos (alunos, professores, diretores, família e comunidade) para a preservação da escola, para a valorização do ensino-aprendizagem”.

            Mas não podemos negar que as câmeras podem ser grandes armas de intimidação e que podem ajudar no combate á violência. Porém, o medo que os indivíduos sentem em cometer infrações diante delas não pode ser visto como sinônimo de respeito.

Biocombustíveis dividem a geopolítica da América Latina

17 outubro 2007 by

Biocombustíveis dividem a geopolítica da América LatinaO Duelo da América Latina   Fernando Augusto       Brasil e Venezuela travam o início de um jogo de interesses sobre a discussão da produção dos biocombustíveis. Existem dois blocos nessa disputa, o bloco do petróleo: Cuba, Venezuela, Nicarágua, Equador, Bolívia, Uruguai e Argentina liderados por Hugo Chavez; e o bloco do Etanol: Brasil, Paraguai, Peru e Colômbia liderados pelo Brasil. O Chile está imparcial nessa briga.       Chavez defende a idéia de que o Brasil devastará uma grande parte da sua produção agrícola com a produção do etanol, ou seja, estará contribuindo com a fome no mundo em troca de fonte de energia. O Brasil, por sua vez, acusa o governo venezuelano de querer se sobrepor perante as demais nações da América Latina com o seu domínio sobre o petróleo e sua forte ligação com Cuba.       O Brasil realmente incomoda a Venezuela, pois diversos países passam a apoiá-lo, principalmente os Estados Unidos, principal rival de Hugo Chavez. Porém, na Cúpula Energética Latino-Americana, em Ilha Margarita, o presidente venezuelano foi um pouco mais cauteloso e disse que não é contra a produção de etanol e que seu país, inclusive, importará o produto do Brasil. “Quero esclarecer que nós não estávamos contra biocombustíveis. Queremos importar etanol do Brasil, além disso, sem taxas.”        Um discurso inteligente do presidente venezuelano. O Brasil tem que entrar nesse mesmo jogo político, a ascensão do etanol faz com que o Brasil consiga momentaneamente aliados de diversas partes do mundo, como os Estados Unidos, porém não pode querer travar um duelo tão cedo, pois, a qualquer momento pode encontrar-se só no meio dessa disputa.         O biocombustível é uma tendência mundial, algo que será inevitável, no entanto os países envolvidos nesse processo devem trabalhar para que realmente seja uma nova fonte de energia e não uma nova fonte de renda. O que mais preocupa os ambientalistas em meio a esse duelo é que, mais uma vez, a natureza é á principal ameaçada.  

MP do Mal

17 outubro 2007 by

Medida provisória assinada pelo governo criando o “Regime de Tributação Unificada” (RTU) preocupa industria nacional.

Por Luiz Henrique Quemel

          A Medida Provisória 380 assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Guido Mantega, cria o “Regime de Tributação Unificada” (RTU). Esse regime permitirá a importação, por via terrestre, de mercadorias procedentes do Paraguai. A alíquota será de 42,25% e somente as microempresas, optantes do Simples Nacional (cujo faturamento anual vai até R$ 240 mil) estarão habilitadas ao Regime de Tributação Unificada.
          O RTU unificará os seguintes impostos e contribuições federais incidentes na importação com as seguintes alíquotas, respectivamente:

I – Imposto de Importação, 18%;
II- Imposto Sobre Produtos Industrializados, 15%;
III – CONFINS-Importação, 7,60%; e
IV – Contribuição para o PIS/Pasep-Importação,1,65%.

          O mercado acredita que a MP 380 (MP do Mal como ficou conhecida em oposição à MP do Bem que instituiu o Programa de Inclusão Digital “Computador para todos”) servirá para estimular a entrada mais rápida dos conversores importados necessários para a TV Digital. Alguns parlamentarem viram a medida provisória como uma forma do governo pressionar a industria nacional a vender os “setup-box”, as caixinhas conversoras por até R$ 250. No entanto, o governo afirma que enviou a MP 380 para o Congresso apenas para incentivar importações do Paraguai.
          A notícia da medida provisória não foi muito bem recebida pelo empresários do setor de eletroeletrônicos. A Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (ELETROS) afirma que a MP incentivará ainda mais o ingresso de produtos piratas e o contrabando. A associação argumenta que os produtos importados atualmente do Paraguai, em sua grande maioria não são produzidos nesse país, mas têm origens na China e caracterizados pela falsidade de marcas.
          Mas o efeito pode ser o inverso esperado pelo governo, ou seja, baratear os eletrônicos e ter um efeito cascata sobre o programa Computador para todos e Notebook popular. O varejo prevê que assim que a MP 380 for aprovada, os preços terão um substancial aumento, pois a idéia é segurar os produtos com preços maiores para o final de ano. “Nossa estimativa é que a venda de computadores e notebooks populares possa ser prejudicada pela MP 380”, afirma um gerente de hipermercado que não quis se identificar.
          Se depender da Receita Federal, a aventura tributária pode sair caro para os sacoleiros de Ciudad del Este, pois ficará a cargo dessa instituição elaborar quais produtos poderão ser importados e quais os que ficarão de fora. Pelo menos já se sabe que explosivos, armas, cigarros, bebidas, inclusive alcoólicas, medicamentos e pneus estarão fora. Resta saber se a MP do Mal não provocará mais mal do quem bem à industria nacional, que se reestabelece de uma mal-fadada reserva de mercado que a impediu de crescer justamente com os argumentos contrários à MP 380.

BRB será privatizado ou incorporado?

10 outubro 2007 by

Na década de 90, logo após a implantação do plano Real, uma onda de privatizações alastrou-se durante o governo FHC. Nisso, a maioria dos bancos públicos estaduais foram vendidos para a iniciativa privada. O Banco de Brasília – BRB, foi um dos únicos que, por intermédio do sindicato dos bancários de Brasília, resistiu a essa onda.

Descumprindo uma promessa de campanha eleitoral (eleições de 2006), o Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, comunicou na semana passada, a decidida intenção de se desfazer do Banco. Afirmando que em seu governo, há outras prioridades e que a venda do banco produzirá recurso vitais para a execução de suas prioridades.Três hipóteses são cogitadas para a venda do banco: a privatização por meio de leilão, a pulverização das ações em bolsa de valores ou ainda a incorporação do banco ao Banco do Brasil.A questão é controversa. “O sindicato está acompanhando passo a passo a movimentação dos dois bancos e usará todos os meios a seu alcance para preservar o BRB como banco público e os direitos dos bancários”, afirmou o diretor do sindicato, André Nepomuceno, após encontro com os representantes das duas instituições, responsáveis pelos estudos de incorporação.A afirmação do sindicalista baseia-se na eminente intenção do governo em vender o Banco para a iniciativa privada.           A diretoria do Banco por meio de informativo interno a seus empregados, esclareceu que as informações veiculadas na mídia são precipitadas, pois os estudos até agora feitos não são suficientes para determinar um possível destino à instituição.Esclareceu também que instituições a serem adquiridas, incorporadas ou privatizadas precisam, necessariamente, passar por processos de avaliação, modelagem, cumprimento de dispositivos legais, o que acarreta tempo. Estudos para a viabilidade de venda ou incorporação são realizados de modo muito profissional. Tudo é minuciosamente pensado, medido e avaliado.Ser o agente de fomento no desenvolvimento do Distrito Federal, isto é fato, haj vista os pagamento de vários benefícios do GDF. O BRB disponibiliza equipamentos e pessoal capacitado para promover o pagamento a mais de 131 mil beneficiários dos Programas Sociais como Agente jovem, Amparo ao Trabalhador Preso, Bolsa Atleta, Bolsa Auxílio Enfermagem, Bolsa Família, Brasil Alfabetizado, Creditrabalho, Renda Minha, Renda Solidariedade e Renda Universitária. Caso seja vendido, além da perda desse agente, o povo do Distrito Federal perderá também parte do seu patrimônio.

Grande vaia: A resposta do Brasil

10 outubro 2007 by

 

 

etica1.jpg

O Brasil acordou! Este é o emblema usado por diversos brasileiros que foram às ruas mais uma vez às 15h do dia 29 de setembro. “A grande vaia” é o nome do movimento que aconteceu em quase todas as capitais brasileiras, com o objetivo de protesto às crises do governo Lula. O movimento foi organizado pela internet e se concretizou quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi vaiado por quase 40 mil brasileiros na abertura dos jogos pan-americanos.

No dia 4 de agosto, aconteceu a primeira manifestação do movimento, que se alastrou por 10 capitais brasileiras. Os protestos foram referentes à série de corrupções que tomaram conta do governo por meio do Legislativo: a crise aérea, os sanguessugas, mensaleiros, empreiteiros, juízes corruptos, ministros debochados e outros casos que envergonham o Brasil.

O protesto não possui líder, legenda política, bandeira ideológica ou interesse particular. É formado por cidadãos; e irão às ruas de preto, nariz de palhaço, faixas e cartazes. “Os brasileiros estão fartos do grande descaso e incompetência do governo Lula. Nunca na história desse País tivemos tantos escândalos, casos de corrupção e crises tão sérias, em tão pouco tempo”, expressa um dos manifestantes.

O movimento de passeatas terá a sua segunda edição. “Ou gritamos basta e exigimos a moralidade da nação, ou aceitaremos de braços cruzados a impunidade vigente no país”, diz Ana Cardoso, uma das manifestantes.

Eu vi a Tropa de Elite!

3 outubro 2007 by

         

 Por Camilla Sanches

          O filme do diretor José Padilha só será lançado no dia 12 de outubro, mas já é assunto na grande maioria das rodinhas de adolescentes, estudantes de ensino médio, universitários e, inclusive, adultos mais velhos.
          De fato o filme é muito polêmico, com várias cenas de violência por parte da polícia, do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e dos traficantes, claro! Sem falar que a obra cinematográfica retrata a ultrajante situação da Polícia Militar no Rio de Janeiro, sem recursos, com dezenas de patrulhas fora das ruas por falta de peças para concerto; sem contar o descaso dos policiais mais velhos, do alto escalão, com os recém-chegados, os chamados aspirantes. Enfim, corrompida e corrupta.
          Tropa de Elite ainda conta com outros pontos a seu favor. A brilhante atuação do ator Wagner Moura, no papel do capitão Nascimento do BOPE dividido entre continuar a carreira ou se dedicar mais à família e ao filho que vai nascer, e de Caio Junqueira como o aspirante Neto, jovem honesto que, desiludido com o papel da PM, tenta entrar para o BOPE. Em papéis coadjuvantes, porém não menos marcantes, temos Fernanda Machado e Fernanda de Freitas em duas boas representações como jovens universitárias de classe média alta, viciadas em drogas, responsáveis por uma ONG sediada na favela da Babilônia, onde grande parte da história se passa.
          Porém, estes não são os elementos principais que já fazem do Tropa de Elite um sucesso de público, mas sim o fato de o filme ter vazado antes mesmo da obra ser acabada. O diretor declarou que a cópia que está sendo vendida no mercado da pirataria não é o produto final, de acordo com a apresentadora e cronista da Revista do Correio Braziliense, Maria Paula, no jornal do dia 16 de setembro.
         Para completar, essa história policial, literalmente um caso de polícia, já tem até continuação de acordo com a crônica de Maria Paula. Já está à venda o “Tropa de Elite II”, que na verdade seria o documentário lançado há oito anos, de João Moreira Salles e Kátia Lund, Notícias de uma guerra particular.
          Essa Tropa de Elite já é, realmente, um verdadeiro campeão de bilheteria antes mesmo de ser lançado nos cinemas de todo o país. Imagine quando estiver em cartaz!

 

Brasil um futuro país de idosos

19 setembro 2007 by

         idosos A população brasileira está ficando cada vez mais velha. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o Brasil, que já foi considerado um país de jovens, será em 2025, o sexto país do mundo com o maior número de pessoas idosas. Os avanços na medicina e a busca por qualidade de vida contribuem para que a expectativa de vida no nosso país cresça.
          Muitos brasileiros estão se preparando para esse “futuro”, que não está muito distante. A aposentada Terezinha Luiza Teixeira da Conceição, 55 anos, está se precavendo para ter uma velhice mais saudável. Todos os dias, ela faz caminhada; duas vezes por semana, freqüenta as aulas de hidroginástica e ainda pratica capoterapia. Há seis anos, ela vive esta rotina de exercícios. Começou porque o médico a recomendou e hoje não quer mais parar. “Eu me sinto muitíssimo bem, não tenho dores, cuido da minha família e ainda consigo fazer minhas tarefas domésticas”, ressaltou.
          Até as crianças estão praticando algum tipo de exercícios. Rute Ferreira de Oliveira é mãe de Maria Eduarda de Oliveira, uma criança de cinco anos. Desde dois anos de idade, Maria faz balé. Rute conta que decidiu colocar sua filha para fazer essa atividade porque acredita que qualquer tipo de exercício ajuda a criança a se desenvolver melhor, a ser mais equilibrada e a envelhecer com mais saúde. “O balé funciona como um calmante e reflete em todos os campos da vida da minha filha, com certeza ela envelhecerá mais tarde”, explicou.
          De acordo com o coordenador da Academia Estação, Anderson Vieira Peres, a procura por atividades físicas é crescente, muitas pessoas de 40 a 70 anos, por orientações médicas estão fazendo atividades físicas. Ele acredita que falta no Brasil maior difusão da real seriedade dessas atividades, para que a prática comece antes do surgimento de doenças. “Quando a pessoa se exercita e se alimenta bem, com certeza será saudável. Não adianta começar e parar, porque só a manutenção traz resultados. Meus alunos se sentem bem melhores, as dores diminuíram, o sono é profundo e com as aulas eles fazem amigos, se sociabilizam. Isso é saúde, é vida”, enfatizou.
          Experiências como estas estão se tornando cada vez mais comuns na nossa sociedade. Isso é bom porque devemos nos reestruturar para o ano 2025. Aprender a ser uma das nações mais velhas do mundo não será uma tarefa fácil. Questões como saúde pública, planos de saúde, aposentadoria, pensões, abandono familiar precisam ser repensadas tanto pelo governo como pela sociedade.

Por Camila Peres

Reciclagem de lixo em Brasília

19 setembro 2007 by

Ainda que conte com lei própria, coleta de lixo seletiva ainda é tímida em Brasília 

Por Emerson Viana

 

A coleta de lixo seletiva dispõe de lei própria na capital do país. A lei n° 3.890, de 7 de julho de 2006, é de autoria do então deputado Chico Floresta. A lei é um importante avanço na preservação do meio ambiente em Brasília. Sua intenção é prevenir os efeitos danosos aos recursos naturais e ainda possibilitar a geração de renda através do reaproveitamento do lixo.

Mesmo contando com esse importante incentivo, os números da reciclagem aqui praticados não são animadores. Segundo pesquisa de 2004 realizada pela Belacap, órgão que cuida da coleta de lixo no DF, das 2.400 toneladas diárias de lixo produzidas, apenas 1,2% é selecionado e reciclado. O baixo desempenho se dá desde a casa dos moradores, que não tem uma cultura e educação conscientizada para a questão, até o próprio aparelhamento público despreparado. A escassa infra-estrutura conta apenas com 7 caminhões e 36 funcionários encarregado para a coleta seletiva.

A maior iniciativa parte das associações de catadores e cooperativas de reciclagem do lixo. Aproximadamente, mais de três mil pessoas estão cadastradas como catadores na Agência de Desenvolvimento Social (ADS). Uma delas é Cleide Vaz da Silva, presidente da Associação de Catadores Ambiente. Ela acredita que com a lei e a implantação de um sistema de coleta adequado, com a criação de centros de triagem, a coleta seletiva possa apresentar melhores resultados. Cleide espera também que a lei proporcione melhores condições de trabalho para os catadores, que além da discriminação sofrem com as condições insalubres da atividade.

Já entre as cooperativas, talvez a mais conhecida seja a 100 Dimensão. Localizada na cidade satélite do Riacho Fundo II, a cooperativa foi criada em 1998. Nasce dos sonhos da então auxiliar de enfermagem Sônia Maria da Silva. Da necessidade de uma fonte de renda e com o apoio dos vizinhos que também enfrentavam as dificuldades de um assentamento sem infra-estrutura, surge a resposta. Do lixo seco, o grupo que se reunia nas casas de moradores da comunidade tiraria o sustento e o resgate da auto-estima e cidadania.

Tendo contado com o apoio de algumas instituições, como o Sebrae, hoje, a cooperativa planeja a construção de três galpões com 600m² em um terreno de 7mil m² negociado por meio do programa Pró-DF do Governo do Distrito Federal. Duzentas famílias são atendidas e a renda de cada uma é de R$ 400 em média. Também são realizadas oficinas de reciclagem, capoeira, música e teatro. Os artesanatos produzidos, como bolsas feitas com tampas de latinhas, além de expostos e vendidos localmente, são exportados para a Califórnia nos Estados Unidos.

Existem vária técnicas para o tratamento do lixo. Infelizmente o destino final, na maioria das cidades no Brasil, são os depósitos a céu aberto. Essa destinação acarreta uma série de problemas de saúde, provoca o desperdício de recursos que poderiam ser aproveitados e compromete rios e nascentes.

Conheça as outras alternativas pouco adotadas: 

Aterros sanitários. Contam com critérios legais de implantação de aterro que determinam a drenagem das nascentes, uma camada de manta de impermeabilização do solo e destinação do chorume (líquido originado dos processos de decomposição de resíduos orgânicos).

Usinas de compostagem. São associadas às usinas de reciclagem. Atualmente são apenas 8 em todo Brasil. Sua capacidade total de processamento é de aproximadamente 3000 toneladas de lixo por dia. Neste processo, os materiais são previamente separados. A matéria orgânica transforma-se num fertilizante que é utilizado no recondicionamento da terra.

Incineradores. Esse sistema vem desde a rudimentar prática de se limpar terrenos rurais para plantio através de queimadas. A ação do fogo reduz o volume do lixo e no caso de lixo hospitalar evita a disseminação de doenças. O inconveniente é que os produtos resultantes podem acarretar numa fonte de poluição. Os vapores da combustão devem ser tratados em filtros e torres de lavagem.

A questão da reciclagem é uma atividade recente. Tomou proporção mundial em 1980 ao se constatar que fontes de petróleo e outras matérias-primas não renováveis se esgotariam rapidamente. Tornou-se necessário o reaproveitamento de materiais como papel, vidro e plástico através da reciclagem. Essas medidas pretendem minimizar a utilização das fontes naturais e diminuir a quantidade de resíduos que necessitam de tratamento final.

 

E assim andam os politicos do DF

19 setembro 2007 by

Por Márcio Medrado

         

          A recente história política do Distrito Federal é turbulenta. Cassação, renúncias, morte e outras situações, colocam os políticos do DF em evidência no cenário nacional. Em julho de 2000, por 52 votos a favor, Luiz Estevão, senador pelo PMDB/DF, foi cassado. Acusado de violação do painel do senado, José Roberto Arruda renunciou em 2001. Em janeiro de 2003, morreu o senador Lauro Campos de falência múltipla dos órgãos.Neste ano, foi a vez do recém eleito, Senador Joaquim Roriz, acusado de descontar um cheque milionário do Banco do Brasil em uma agência Banco de Brasília-BRB, onde Tarcísio Franklin de Moura, seu amigo, era presidente. Sem conseguir comprovar a origem do dinheiro, teve que renunciar ao cargo. O Deputado Distrital Pedro Passos, acusado de favorecimento e fraude em licitação pública no caso da construtora Gautama, também renunciou.  

          Os constantes deslizes éticos dos políticos do DF têm e devem ser sempre lembrados. Para Aylê Salassie, Mestre em Ciências Sociais Aplicadas e professor de Políticas de Comunicação da Universidade Católica de Brasília – UCB, Brasília é o encontro dos rios Negro e Solimões para a política. É ponto de convergência da política brasileira. Todos os defeitos e acertos dos políticos do país refletem-se nos políticos daqui. O estado atual é conseqüência dessa convergência, os políticos da capital federal não sendo exemplo para o resto do país, tornam-se espelho dos demais. Ainda segundo ele, a maior característica dos políticos daqui é o provincianismo. Políticos que fazem política e politicagem regional.

O Brasil compete com ele mesmo

19 setembro 2007 by

Sendo o único candidato para sediar a copa de 2014, o Brasil está com a faca e o queijo na mão

Por Luciano Franklin

          O esporte brasileiro se desenvolve cada vez mais; uma grande prova desse desenvolvimento foi a realização dos jogos pan-americanos efetivados no Brasil. “Os resultados sem precedentes obtidos pelos atletas brasileiros nos Jogos Pan-americanos são frutos da ampliação dos investimentos públicos no esporte nacional nos últimos anos”, disse o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., para cerca de 50 jornalistas brasileiros e estrangeiros em entrevista coletiva realizada no Rio de Janeiro deste ano. O grande sucesso do Pan- americano abriu as portas e fortaleceu a candidatura do Brasil para a Copa de 2014. A Copa do mundo é o segundo maior evento desportivo do mundo, ficando atrás apenas dos jogos olímpicos.
          Em 7 de março de 2004, a FIFA anunciou que a copa do mundo aconteceria na América do Sul, sendo coerente com sua política de rodízio entres as confederações continentais no direito de sediar uma copa. Um ano antes, a confederação sul-americana de futebol já havia anunciado que Argentina, Brasil e Colômbia se candidatariam para sediar o evento futebolístico. Também em Março de 2004, a confederação Sul-americana de futebol(CONMEBOL) votou de forma unânime pela adoção do Brasil como seu único candidato à copa. O dia 7 de Fevereiro seria a data final para as inscrições, porém a FIFA antecipou o prazo, tendo este encerrado em 18 de dezembro de 2006. Agora oficialmente o Brasil é o único candidato à copa de 2014 devendo cumprir apenas as exigências determinadas pela FIFA. A competição poderá ser realizada em outro país da América, se o Brasil não cumprir com as normas determinadas. Os Estados Unidos e o Canadá já mostraram interesse em sediar o evento caso o Brasil seja reprovado.
         Uma das 18 cidades para sediar a copa de 2014 é a capital federal, Brasília, cuja candidatura foi lançada pelo o governo Arruda. Brasília é uma cidade muito bem estruturada e poderia ser a sede principal do evento. Mesmo sendo muito díficil o Distrito Federal ser a sede principal, os brasilienses acreditam em transmitir a abertura e a final das partidas. A estudante de Direito da Universidade de Brasília, Ana Maria, acredita que o evento só trará benefícios a cidade e ao Brasil. “A copa é muito bem vinda, gera lucros ao país com o turismo e o dinheiro injetados aqui, o esporte cresce e nada mais divertido e justo que o próprio país do futebol sediar uma copa” declara a estudante. Entretanto, entre toda a euforia dos brasileiros, há aqueles que não acreditam que a copa trará tantos benefícios assim. Segundo João Paulo estudante de Letras da Universidade Católica de Brasília, o Brasil não possui redes tão eficientes de hotelaria, a maioria dos estádios não estão aptos para receber tal competição, que levará aos políticos superfaturar nas obras e não sabe como a população reagirá com uma copa aqui. ” Se o Brasil já pára quando tem uma copa, imagine se ela acontece aqui”comenta João.
          Ainda não se sabe ao certo se o Brasil será mesmo o país a sediar a copa de 2014, mas isso só depende dele pois o futebol brasileiro está com a bola da vez.

Políticas públicas para comunidades quilombolas estão em pauta

19 setembro 2007 by

quilombolas         Nesta quarta-feira dia 12, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), realiza em São Paulo a audiência pública “Políticas Públicas para Comunidades Quilombolas”. A audiência reúne membros da PRDC, moradores das mais de 30 comunidades quilombolas, representantes do INSS, do Incra e da Secretaria Especial de Políticas de promoção de igualdade Racial e dos ministérios da Saúde e da Educação. O evento visa obter propostas que viabilizem a implantação de políticas assistenciais para as populações quilombolas.
          As comunidades quilombolas são redutos da cultura africana e fazem parte da miscigenada cultura do Brasil. Ainda na época da escravidão, os negros que se rebelavam fugiam para os quilombos, lugares afastados dos grandes centros urbanos que abrigavam os fugitivos, e lá por meio da agricultura, da pesca e da caça viviam suas vidas. O dia 13 de maio de 1888 marca o fim do sistema escravocrata, este fato contribuiu para o crescimento dos quilombos e para a formação do que hoje conhecemos como: comunidades quilombolas. Elas representam a continuidade de costumes e tradições dos negros africanos.
          No Brasil, de acordo com o pesquisador Rafael dos Anjos, autor do livro Quilombolas Tradições e Culturas da Resistência, existem cerca de 2.842 comunidades quilombolas. Ele relata que os negros que lá vivem estão em busca de maior reconhecimento e respeito. “Diante de todas as dificuldades que os quilombolas enfrentam a cultura negra continua sendo passada entre gerações”, enfatiza. As danças, as comidas, as festas, a religião entre outras características, são próprias de cada comunidade.
          Desde a abolição, movimentos contra o racismo têm surgido no país. Na década de 90, numa tentativa de lutar pela cidadania, os movimentos trilham novos rumos. O Instituto Cultural Steve Biko, há 15 anos combate a discriminação racial. “Para auxiliar nesse processo, desenvolvemos atividades buscando a reconstrução da identidade étnica, da auto-estima e cidadania dos afro-brasileiros em um contexto de formação política e educacional. Trata-se de uma proposta autônoma e independente, aliando-se ideologicamente, no entanto, com todas as organizações ou pessoas que trabalham pela eliminação das desigualdades étnico-sociais”, relatou o representante do Instituto Eduardo Neto, universitário da UFBA.
          De acordo com a Constituição de 1988, o governo brasileiro tem obrigação de promover políticas assistenciais para solucionar problemas: educacionais, sociais, habitacionais e trabalhistas enfrentados pelos quilombolas, mas as iniciativas governamentais de hoje são insuficientes na promoção de igualdade social para esse povo.
          Pesquisadores têm dado atenção especial para o estudo dos quilombos; uns acreditam que o mundo globalizado não deve entrar em contato com os remanescentes e que o isolamento em favor da preservação cultural é justificado; outros admitem que algumas características vão se perder se o contato com a cultura geral adentrar as comunidades, mas defendem que a interação é benéfica para melhorar a qualidade de vida delas e ainda argumentam que trocas culturais enriquecem as comunidades.
          O pesquisador Roberval Marinho, professor de Fundamentos da Cultura Brasileira e Regional da Universidade Católica de Brasília, relata que elementos da cultura global não representam uma situação ruim. “Os quilombos brasileiros fazem parte da cultura globalizada do País e estar à margem do progresso e das novas tecnologias é estar fadado a uma vida muito difícil e até mesmo ao extermínio. Também porque todos os seres humanos têm direito ao mundo e a tudo aquilo que signifique qualidade de viva”, enfatizou.
          A Constituição de 1988 assegura aos quilombolas o direito a políticas públicas, o fato é que algumas comunidades desconhecem seus direitos, os governantes em sua maioria não se interessam pela questão. Rafael dos Anjos alerta os brasileiros a conhecer melhor a história do país e a plurirracialidade da qual somos herdeiros. Ele afirma que: “Um país que não conhece a fundo seu passado, que não se reconhece em suas origens, dificilmente saberá se encaminhar para o futuro”. Passado mais de cem anos do fim do sistema escravocrata seus descendentes ainda sofrem com a exclusão e o abandono social.

Por Camila Peres.