Reciclagem de lixo em Brasília

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Ainda que conte com lei própria, coleta de lixo seletiva ainda é tímida em Brasília 

Por Emerson Viana

 

A coleta de lixo seletiva dispõe de lei própria na capital do país. A lei n° 3.890, de 7 de julho de 2006, é de autoria do então deputado Chico Floresta. A lei é um importante avanço na preservação do meio ambiente em Brasília. Sua intenção é prevenir os efeitos danosos aos recursos naturais e ainda possibilitar a geração de renda através do reaproveitamento do lixo.

Mesmo contando com esse importante incentivo, os números da reciclagem aqui praticados não são animadores. Segundo pesquisa de 2004 realizada pela Belacap, órgão que cuida da coleta de lixo no DF, das 2.400 toneladas diárias de lixo produzidas, apenas 1,2% é selecionado e reciclado. O baixo desempenho se dá desde a casa dos moradores, que não tem uma cultura e educação conscientizada para a questão, até o próprio aparelhamento público despreparado. A escassa infra-estrutura conta apenas com 7 caminhões e 36 funcionários encarregado para a coleta seletiva.

A maior iniciativa parte das associações de catadores e cooperativas de reciclagem do lixo. Aproximadamente, mais de três mil pessoas estão cadastradas como catadores na Agência de Desenvolvimento Social (ADS). Uma delas é Cleide Vaz da Silva, presidente da Associação de Catadores Ambiente. Ela acredita que com a lei e a implantação de um sistema de coleta adequado, com a criação de centros de triagem, a coleta seletiva possa apresentar melhores resultados. Cleide espera também que a lei proporcione melhores condições de trabalho para os catadores, que além da discriminação sofrem com as condições insalubres da atividade.

Já entre as cooperativas, talvez a mais conhecida seja a 100 Dimensão. Localizada na cidade satélite do Riacho Fundo II, a cooperativa foi criada em 1998. Nasce dos sonhos da então auxiliar de enfermagem Sônia Maria da Silva. Da necessidade de uma fonte de renda e com o apoio dos vizinhos que também enfrentavam as dificuldades de um assentamento sem infra-estrutura, surge a resposta. Do lixo seco, o grupo que se reunia nas casas de moradores da comunidade tiraria o sustento e o resgate da auto-estima e cidadania.

Tendo contado com o apoio de algumas instituições, como o Sebrae, hoje, a cooperativa planeja a construção de três galpões com 600m² em um terreno de 7mil m² negociado por meio do programa Pró-DF do Governo do Distrito Federal. Duzentas famílias são atendidas e a renda de cada uma é de R$ 400 em média. Também são realizadas oficinas de reciclagem, capoeira, música e teatro. Os artesanatos produzidos, como bolsas feitas com tampas de latinhas, além de expostos e vendidos localmente, são exportados para a Califórnia nos Estados Unidos.

Existem vária técnicas para o tratamento do lixo. Infelizmente o destino final, na maioria das cidades no Brasil, são os depósitos a céu aberto. Essa destinação acarreta uma série de problemas de saúde, provoca o desperdício de recursos que poderiam ser aproveitados e compromete rios e nascentes.

Conheça as outras alternativas pouco adotadas: 

Aterros sanitários. Contam com critérios legais de implantação de aterro que determinam a drenagem das nascentes, uma camada de manta de impermeabilização do solo e destinação do chorume (líquido originado dos processos de decomposição de resíduos orgânicos).

Usinas de compostagem. São associadas às usinas de reciclagem. Atualmente são apenas 8 em todo Brasil. Sua capacidade total de processamento é de aproximadamente 3000 toneladas de lixo por dia. Neste processo, os materiais são previamente separados. A matéria orgânica transforma-se num fertilizante que é utilizado no recondicionamento da terra.

Incineradores. Esse sistema vem desde a rudimentar prática de se limpar terrenos rurais para plantio através de queimadas. A ação do fogo reduz o volume do lixo e no caso de lixo hospitalar evita a disseminação de doenças. O inconveniente é que os produtos resultantes podem acarretar numa fonte de poluição. Os vapores da combustão devem ser tratados em filtros e torres de lavagem.

A questão da reciclagem é uma atividade recente. Tomou proporção mundial em 1980 ao se constatar que fontes de petróleo e outras matérias-primas não renováveis se esgotariam rapidamente. Tornou-se necessário o reaproveitamento de materiais como papel, vidro e plástico através da reciclagem. Essas medidas pretendem minimizar a utilização das fontes naturais e diminuir a quantidade de resíduos que necessitam de tratamento final.

 

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